Trincas: um problema que vai muito além do fator estético

Você já parou para refletir sobre isso?

Quem nunca se incomodou com a existência de alguma trinca, seja na parede ou na estrutura de determinado imóvel?Scanner_20150813 (2) Não se pode negar que estas trincas deixem um aspecto desagradável nas construções e causem até mesmo um certo incômodo. Mas o problema gerado por estas anomalias vai muito além do prejuízo estético. Trata-se de um problema patológico decorrente em edifícios, sejam estes antigos ou novos, de particular importância dentre os inúmeros problemas que afetam as edificações. Isto porque, além de interferir na estética, as trincas ainda geram um desconforto psicológico aos usuários do edifício, comprometem o desempenho da edificação (estanqueidade à água, isolação acústica, durabilidade, etc.) e advertem sobre um possível risco à segurança estrutural da construção – e é justamente neste ponto que está a maior preocupação.

São diversos os problemas patológicos, tecnicamente chamados de manifestações patológicas, que afetam os edifícios, dentre eles destacam-se as trincas. Estas são geralmente confundidas com as fissuras e com as rachaduras, porém são distintas entre si, embora sejam variações umas das outras. A classificação destas manifestações patológicas é dada de acordo com a dimensão de cada uma, representando graus distintos de risco à edificação e aos seus usuários. Sendo assim, pode-se dizer que as fissuras são rupturas mais superficiais que, geralmente, não representam um problema estrutural grave. As trincas, por sua vez, são rupturas mais profundas e, quando evoluem para rachaduras, apresentam um grau de risco mais significativo.

Tais manifestações patológicas podem ser provocadas, principalmente, pela atuação de sobrecargas ou concentração de tensões, pelas variações térmicas, pela umidade, pela movimentação ou alteração química dos materiais empregados na construção, por recalque das fundações ou por deformações excessivas sofridas pelas estruturas ou pelos componentes construtivos como um todo.

As trincas são um aviso de que algo não vai bem na edificação. Muitos acreditam que fissuras ou trincas na alvenaria representam menos risco do que em pilares ou vigas, o que, muitas vezes, gera até um certo “descaso” com as trincas em alvenaria. Este conceito pode possuir alguma relevância, mas é preciso ter muito cuidado: um problema na alvenaria pode ser consequência de um problema estrutural mais grave e, portanto, precisa ser estudado.

Todas as manifestações patológicas em edificação devem ser devidamente avaliadas e tratadas. O primeiro passo para tanto é a identificação da causa do problema e se ele ainda está em crescimento. O diagnóstico correto da manifestação patológica é de extrema importância para sua correção – partindo-se da correta identificação de sua causa pode-se prever uma recuperação adequada. Existem diversas configurações típicas de problemas patológicos que variam de acordo com a sua causa. Isto, todavia, não torna fácil a tarefa de diagnosticar o motivo de uma trinca. Uma determinada causa pode provocar diversas configurações de trincas e uma configuração pode representar diversas causas.

Neste contexto, surge a necessidade da contratação de um profissional habilitado e qualificado, um engenheiro civil especialista no assunto, capaz de chegar ao correto diagnóstico da anomalia. Em alguns casos mais complexos, este profissional terá que lançar mão de minuciosos ensaios de laboratório, revisão de projetos, instrumentação da obra e obtenção de dados históricos sobre a construção. Caso o profissional especializado chegue à conclusão de que a trinca ainda está ativa (em crescimento) é necessário o tratamento da origem do problema. Caso contrário, trata-se diretamente o local afetado.

Dessa forma, é possível evitar que a situação da edificação se agrave. Um problema estrutural, por exemplo, pode levar a estrutura do edifício ao colapso. Trincas em alvenarias externas, por sua vez, favorecem a absorção de água e o surgimento de mofo, gerando danos à saúde dos moradores. Tentar solucionar o problema sem o correto diagnóstico pode parecer a solução mais atrativa financeiramente, mas não se engane: neste caso, o problema voltará a surgir e será cada vez pior – o que não configura uma solução técnica nem econômica.  Trincas não representam problema puramente estético e não devem ser tratadas como tal, afinal podem colocar em risco a segurança, a saúde e o bem estar dos usuários da edificação.

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